UFMG Inova com Primeiro Exame de PET-CT para Diagnóstico do Alzheimer
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fez história ao realizar, na última terça-feira, 23 de outubro, seu primeiro exame de PET-CT cerebral utilizando o radiofármaco 18F-florbetabeno. Este avanço na tecnologia médica representa um passo significativo na identificação precoce da doença de Alzheimer, que atualmente afeta cerca de 1,2 milhão de brasileiros, muitos dos quais ainda não possuem um diagnóstico confirmatório.
O 18F-florbetabeno se destaca por sua capacidade de se ligar às placas beta-amiloide presentes no cérebro, possibilitando a avaliação da ocorrência dessas lesões associadas ao Alzheimer. Este exame é um verdadeiro divisor de águas não apenas no diagnóstico, mas também no manejo terapêutico da doença, aumentando as chances de intervenção precoce e melhor qualidade de vida para os pacientes.
A segurança e a confiabilidade do 18F-florbetabeno já foram reconhecidas por agências reguladoras de renome internacional, como a FDA (EUA) e a EMA (União Europeia), além da aprovação pela Anvisa no Brasil. Com essa nova ferramenta em mãos, os profissionais de saúde ganham um aliado valioso em um cenário em que muitas pessoas ainda aguardam um diagnóstico adequado, reforçando a urgência deste avanço.
A realização do exame ocorreu no Centro de Tecnologia em Medicina Molecular (CTMM) da UFMG, colocando Belo Horizonte em um seleto grupo de cidades brasileiras capacitadas para realizar esse teste inovador. O professor Marco Aurélio Romano-Silva, coordenador do CTMM e chefe do Departamento de Psiquiatria da faculdade, destacou a importância desse momento, considerando-o um marco para a medicina diagnóstica do estado. A possibilidade de identificar a presença de lesões antes do surgimento de sintomas clínicos é um dos principais benefícios desse novo exame, pois permite intervenções mais eficazes.
Ao abordar o funcionamento do exame, o professor explicou que as placas beta-amiloide podem permanecer latentes no cérebro por anos. A realização do PET-CT, quando indicado por um médico, é fundamental para avaliar a carga dessa proteína nas fases iniciais da doença, permitindo diagnósticos mais seguros e precisos.
Os resultados do exame possuem implicações diretas na vida dos pacientes. Um resultado negativo indica uma baixa probabilidade de desenvolvimento de comprometimento cognitivo leve relacionado ao Alzheimer, enquanto um resultado positivo, obtido antes do aparecimento dos sintomas, fornece informações cruciais que podem orientar o acompanhamento médico. Esse conhecimento pode ser vital para a preservação da qualidade de vida tanto do paciente quanto dos familiares.
“Agir precocemente aumenta as chances de preservar a qualidade de vida dos pacientes por mais tempo”, afirma a médica nuclear Hérika Martins Mendes Vasconcelos, responsável pelo exame. Ela ressalta ainda que a técnica contribui para diagnósticos mais confiáveis e a formulação de estratégias terapêuticas adequadas, promovendo cuidados mais humanizados.
Além do PET-CT, o CTMM deu um passo adicional ao instalar o equipamento Single Molecule Array (SIMOA), capaz de detectar baixíssimas concentrações de proteínas no sangue. Essa tecnologia se soma ao exame de imagem, aumentando a capacidade de identificar biomarcadores que podem estar presentes em estágios iniciais da doença de Alzheimer. A combinação entre análise molecular e imagem cerebral não apenas melhora a precisão do diagnóstico, mas também abre novas possibilidades de pesquisa em tratamentos inovadores, como a imunoterapia e medicamentos voltados à remoção das placas beta-amiloide.
O CTMM não se limita ao diagnóstico de Alzheimer. O Centro está na vanguarda da medicina molecular e neurociência, oferecendo exames PET Scan para diferentes tipos de câncer e análises de metabolismo celular em várias estruturas. Para mais informações sobre os serviços prestados, a população pode entrar em contato pelo WhatsApp (31) 99723-4160 ou pelo e-mail imagemolecular@gmail.com.
Esses avanços retratam um horizonte promissor na medicina, especialmente para aqueles que enfrentam a doença de Alzheimer. A capacidade de agir mais cedo e com maior precisão pode mudar drasticamente a trajetória de muitos pacientes, oferecendo esperança e qualidade de vida renovada.
Imagem Redação



Postar comentário