Sistema ‘SUS da Educação’ Representa Avanço, Mas Não Resolve Desigualdades Estruturais

Aprovação do Sistema Nacional de Educação Coloca à Prova desafiadores Orçamentários

A recente aprovação pelo Congresso do Sistema Nacional de Educação (SNE), muitas vezes referido como o “SUS da Educação”, representa um avanço significativo para o setor educacional no Brasil. No entanto, a realidade orçamentária atual impõe sérias limitações à aplicação eficaz das políticas educacionais. Este cenário levanta questões cruciais sobre a capacidade de implementação das propostas que visam melhorar o sistema educacional.

Focando no ensino básico, a nova legislação institui a Infraestrutura Nacional de Dados da Educação sob a responsabilidade do Ministério da Educação (MEC). Essa plataforma integrará informações valiosas disponíveis para estados e municípios, permitindo um gerenciamento mais eficiente dos dados educacionais. Além disso, o SNE introduz o Identificador Nacional Único, que funcionará como um prontuário unificado para todos os estudantes, desde a pré-escola. Com o estabelecimento de um indicador de investimento mínimo no ensino público básico, espera-se que gestores educacionais tenham acesso a ferramentas mais eficazes para enfrentar os desafios orçamentários do setor.

Entretanto, essa nova estrutura não elimina os desequilíbrios orçamentários que foram, em parte, gerados pelo próprio Congresso. De acordo com críticas recentes, como as expressas pela presidente do Todos pela Educação, na proposta orçamentária para o MEC referente ao próximo ano, as distorções são particularmente evidentes. O programa “Pé-de-Meia”, que contempla a concessão de bolsas mensais aos alunos carentes do ensino médio, acabou se tornando o principal foco de recursos, criando carências em outras áreas fundamentais da educação.

O programa “Pé-de-Meia” destina-se a combater a evasão escolar no ensino médio, oferecendo uma bolsa de R$ 200 mensais e uma premiação de R$ 1 mil para os estudantes que concluírem o ano letivo. Contudo, a diluição de recursos em um ano eleitoral compromete a atenção necessária a outras iniciativas importantes. Essa concentração de investimentos pode gerar um falso sentimento de que o problema da evasão escolar está sendo resolvido, enquanto outras políticas educativas permanecem prejudicadas.

A previsão orçamentária do MEC para a educação básica em 2026 é de R$ 99,9 bilhões, um aumento expressivo de R$ 19,4 bilhões (24%) em relação ao ano anterior. Infelizmente, a maior parte desse aumento será absorvida por programas como o “Pé-de-Meia” e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que receberão R$ 21 bilhões. A alocação de R$ 12 bilhões para o “Pé-de-Meia”, em comparação ao bilhões de recursos disponíveis neste ano, cria uma pressão insustentável sobre outros programas educacionais igualmente relevantes.

Um exemplo significativo do impacto dessas decisões orçamentárias é a drástica redução nas verbas para ações voltadas à educação em tempo integral, parte do Novo Ensino Médio. Inicialmente, foram alocados R$ 1,6 bilhão; depois, esse valor foi cortado para R$ 794 milhões, e para o próximo ano, a previsão é que chegue a apenas R$ 22 milhões. Essas programações são cruciais, não apenas para o aprimoramento da aprendizagem dos alunos, mas também para a redução da evasão escolar—uma realidade comprovada em estados como Pernambuco, onde as taxas de evasão caíram significativamente com a implementação de aulas em tempo integral.

Além das políticas de educação em tempo integral, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada também enfrenta cortes orçamentários. Para 2026, a proposta prevê apenas R$ 441 milhões para a alfabetização, o que representa uma queda de 27,4% em relação aos valores já reduzidos de 2025. Diante da persistente problemática do analfabetismo no Brasil, a escassez de recursos destinados a essa área é alarmante, considerando que a alfabetização na idade correta é essencial para o futuro das crianças.

É inegável que o “SUS da Educação” pode desempenhar um papel positivo no aprimoramento do debate técnico sobre as políticas educacionais no Brasil, longe de influências políticas. Contudo, as necessidades e déficits estruturais no sistema educacional exigem que os gestores públicos utilizem os recursos disponíveis de maneira mais criteriosa e adequada, evitando que decisões orçamentárias sejam tomadas segundo conveniências eleitorais. A educação é a base do desenvolvimento de qualquer sociedade, e o momento requer uma reflexão profunda e ações urgentes para garantir que cada criança e jovem possa ter acesso a um ensino de qualidade.

![Imagem Redação]

Abilenio Sued

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