Nobel de Economia 2025 Destaca Pesquisas sobre a Inovação Tecnológica
O Prêmio Nobel de Economia de 2025 foi concedido a três economistas renomados: Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt. Essa honraria foi anunciada na manhã de segunda-feira (13/10) e reflete a crescente importância da pesquisa sobre inovação e seu papel crucial no desenvolvimento econômico. Mokyr, naturalizado norte-americano, é professor na Universidade Northwestern, enquanto Aghion e Howitt atuam no campo da Economia na Europa e nos Estados Unidos.
A premiação, que totaliza 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,23 milhões, visa reconhecer as contribuições desses três acadêmicos à compreensão dos fatores que impulsionam o crescimento econômico sustentável. Mokyr recebe metade do prêmio por seu trabalho relacionado ao progresso tecnológico, enquanto Aghion e Howitt dividem a outra metade por sua teoria sobre a “destruição criativa”.
O professor Leonardo Weller, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, destaca que este é o terceiro ano consecutivo em que o Nobel de Economia valoriza investigações no campo da história econômica. Ele observa que a academia tem cada vez mais reconhecido as limitações das teorias econômicas tradicionais, enfatizando a necessidade de um olhar cuidadoso sobre o passado para entender as dinâmicas econômicas atuais.
No caso específico dos laureados de 2025, Joel Mokyr se destaca por seu enfoque na Revolução Industrial e suas raízes históricas. O economista Thales Zamberlan Pereira, igualmente da EESP, salienta que Mokyr defende a relação direta entre as ideias iluministas, que começaram a emergir no século 17, e a Revolução Industrial. Essa revolução não apenas inaugurou um novo tempo de crescimento econômico, mas também desencadeou um entendimento profundo das transformações sociais que marcaram o período.
Mokyr investiga por que a Revolução Industrial teve início na Inglaterra e as condições que favoreceram essa evolução em comparação a outros países. Seu trabalho revela que a extensa rede de transportes desenvolvida na Inglaterra no final do século 17 foi decisiva para o surgimento de novos mercados e oportunidades, especialmente em regiões com menos potencial agrícola, como o Noroeste inglês.
Esse contexto histórico permite entender como setores emergentes se beneficiaram de inovações tecnológicas e mão de obra qualificada. A pesquisa de Mokyr também aponta para a importância do sistema de formação profissional, que, no século 17, já preparava trabalhadores para as novas demandas surgidas com a industrialização.
Além de Mokyr, Aghion e Howitt também são referências em suas áreas, focando seus estudos na mecânica do crescimento econômico. Os dois economistas fundamentaram seu modelo de “destruição criativa” na obra de Joseph Schumpeter, um conceito que explica como inovações tecnológicas podem derrubar práticas antigas. Este conceito não apenas revolucionou a economia, mas também estabeleceu uma ligação entre a inovação e o crescimento sustentável.
Os resultados dessas investigações têm repercussões significativas para a formulação de políticas públicas. Segundo o economista Vladimir Teles, o trabalho de Aghion e Howitt sugere que as políticas governamentais devem priorizar o apoio a empresas menores e mais inovadoras, em vez de conceder subsídios a grandes corporações. Essa mudança de foco poderá promover um ambiente mais propício à criatividade e à inovação.
Com essas premiações, a Academia Sueca reafirma a relevância da pesquisa em história econômica e sua intersecção com a inovação moderna. O Nobel de Economia de 2025 não apenas ilumina a trajetória desses laureados, mas também aponta para um futuro em que a tecnologia e a criatividade serão fundamentais para enfrentar os desafios econômicos globais.
Imagem Redação



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