Título: Nobel de Economia de 2025 Reforça a Importância do Capital Humano e Cultura para o Crescimento Econômico no Brasil
A recente discussão sobre o crescimento econômico do Brasil tem se concentrado frequentemente em medidas imediatas, como a redução da taxa de juros e o cumprimento de metas fiscais. No entanto, a análise de Joel Mokyr, professor da Universidade Northwestern e ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2025, traz uma nova perspectiva ao destacar que o verdadeiro motor da renda a longo prazo reside no capital humano e na cultura. Este insight foi revelado em um anúncio movimentado que colocou Mokyr entre os grandes pensadores econômicos do nosso tempo.
Mokyr é conhecido por sua pesquisa sobre a Revolução Industrial, e sua teoria sugere que o período de intensa inovação que marcou essa era não foi fruto de um acaso, mas resultado de um “choque de oferta”. Ele argumenta que, séculos antes da Revolução, houve um acúmulo de conhecimentos e um “iluminismo industrial” que catalisou a transição da Europa de uma sociedade tradicional para uma mais inovadora e dinâmica. Essa mudança de paradigma, segundo ele, é fundamental para entender como o progresso econômico pode ser alcançado.
O professor Matheus Assef, da USP, corrobora a visão de Mokyr, ressaltando que, no contexto brasileiro, os baixos índices de educação e as históricas relações econômicas pouco capitalistas são barreiras significativas para o crescimento. Para Assef, a Revolução Industrial representa uma virada crucial na história econômica global, e compreendê-la é essencial para qualquer análise que busque soluções para os desafios que o Brasil enfrenta.
A edição deste ano do Prêmio Nobel de Economia foi atípica, uma vez que foi compartilhada entre Mokyr e outros dois economistas, Phillippe Aghion e Peter Howitt. Juntos, esses pesquisadores têm se debruçado sobre a relação entre inovação e crescimento econômico por muitos anos. Sua colaboração frutífera resultou em modelos matemáticos que buscam esclarecer como a tecnologia pode impulsionar o aumento da renda em uma sociedade.
Os estudos de Aghion e Howitt são complementares à análise histórica de Mokyr, abordando a importância da inovação para o crescimento econômico. De acordo com Aloísio de Araújo, da Fundação Getulio Vargas, a escolha dos laureados reflete uma tentativa da Academia Sueca de reconhecer a variedade de pesquisas que contribuem para o entendimento do crescimento econômico.
A inovação não surge de forma espontânea, enfatiza o professor Gilberto Tadeu Lima, da USP. Para que haja um ambiente propício à criação, um conjunto de condições deve ser estabelecido — é o que ele chama de “princípios do estímulo à inovação”. Um exemplo claro disso no Brasil é a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que desempenha um papel fundamental no financiamento de inovações na agricultura. Esse investimento público é um dos fatores que contribuíram para o sucesso do agronegócio brasileiro, demonstrando como uma política bem direcionada pode ter resultados positivos tangíveis.
Em seu livro “The Economics of Growth”, lançado em 2009, Aghion e Howitt exploram as teorias de Joseph Schumpeter, que introduziu o conceito de “destruição criativa”. Essa ideia descreve como inovações capazes de tornar produtos obsoletos também promovem a criação de novas empresas e, por consequência, aceleram o crescimento econômico.
Concentração de Mercado e Patentes
O modelo de Aghion e Howitt também analisa como o crescimento de um país se relaciona com sua proximidade em relação à fronteira tecnológica. A responsabilidade do governo, portanto, consiste em definir as políticas necessárias para se alcançar essa fronteira. Uma das decisões estratégicas a serem consideradas é o nível de concentração de mercado.
O professor Tadeu Lima sugere que o poder de definição de preços é necessário para estimular investimentos em inovação. Entretanto, se a concentração for excessiva, os incentivos para inovação diminuem, criando um paradoxo que pode cercear o desenvolvimento econômico.
O impacto deste fenômeno é visível no Brasil, onde o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) divulga periodicamente rankings de depositantes de patentes. Recentemente, a Stellantis Automóveis Brasil liderou as solicitações, seguida pela Petrobras e pela Universidade Federal de Campina Grande. Esses dados revelam uma competição crescente na inovação, mas também sugerem a necessidade de políticas que equilibrem a concentração de mercado e o incentivo à inovação.
À medida que o Brasil encara seus desafios econômicos, fica claro que a análise do crescimento deve ir além de medidas imediatas. O reconhecimento do papel do capital humano e da cultura no desenvolvimento econômico, como defendido por Mokyr e corroborado por seus colegas Nobel, é vital para traçar um caminho mais eficaz e sustentável para o futuro do país.
Imagem Redação



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