Crescimento Contínuo do Mercado Pet no Brasil: Expectativas de Faturamento de R$ 77,2 Bilhões em 2025
A presença de animais de estimação no Brasil nunca foi tão expressiva. Com um impressionante total de cerca de 160 milhões de pets, o mercado brasileiro de produtos e serviços para animais deve movimentar R$ 77,2 bilhões em 2025, conforme informações da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil (IPB). Esta realidade mostra que, em média, cada família brasileira abriga 2,2 animais, refletindo uma sociedade cada vez mais voltada ao bem-estar dos pets.
O crescimento do setor, em especial após a pandemia de Covid-19, demonstra uma mudança significativa nas dinâmicas familiares. Em 2019, o mercado pet registrou um faturamento de aproximadamente R$ 35,8 bilhões. Com a pandemia, o setor teve um salto para R$ 40,1 bilhões em 2020, o que representou um crescimento de 12%. O ano seguinte trouxe um aumento ainda mais robusto, com uma alta de 28% que impulsionou o faturamento para R$ 51,7 bilhões. Essa trajetória positiva, embora desacelerada, continuou a se consolidar nos anos subsequentes.
Ricardo de Oliveira, especialista em gestão de pet shops e fundador da consultoria Fórmula Pet Shop, ressalta as profundas transformações sociais durante esse período. “A pandemia fez com que muitas pessoas ficassem em casa por mais tempo, levando ao sentimento de solidão. Os animais se tornaram companheiros e suporte emocional, reforçando a importância do cuidado com eles”, afirma Oliveira. A nova realidade familiar elevou a percepção do valor que as pessoas atribuem aos animais de estimação.
Além disso, a evolução do perfil do consumidor é notória, com a demanda por experiências e serviços de qualidade aumentando. “O cliente está se tornando mais exigente. A concorrência está crescendo em todo o país, e não é suficiente apenas vender ração. Hoje, o consumidor quer uma experiência completa, que integre conveniência e um atendimento personalizado,” explica Ricardo. As expectativas agora incluem conhecer o nome do animal e entender suas necessidades específicas.
Um destaque nesse cenário de crescimento é a região Nordeste, que vem se afirmando como um novo vetor de expansão do mercado pet. Embora o Sudeste ainda lidere o setor, o Nordeste já representa mais de 20% da população de pets do Brasil, com um aumento significativo na abertura de lojas e serviços veterinários. Estados como Pernambuco, Bahia e Ceará estão se tornando atrativos para empreendedores que priorizam a experiência do cliente e o posicionamento de marca.
Rodrigo Reis Cabral, corretor e administrador de imóveis de Jaboatão dos Guararapes, exemplifica essa nova mentalidade ao relatar os cuidados com seu maltês, Armani Westfalem, de 8 anos. Rodrigo investe cerca de R$ 1 mil mensais em cuidados que incluem plano de saúde, ração de alta qualidade e até um plano funerário. Ele detalha que Armani possui uma rotina de alimentação balanceada, que é monitorada por um nutricionista veterinário, destacando a crescente precificação de cuidados com animais de estimação.
Apesar das expectativas otimistas, o setor também enfrenta desafios, como a inflação, que deve impactar o crescimento do faturamento, previsto em apenas 2,4% em 2025. A venda de alimentos industrializados para pets se destaca no setor, com uma previsão de faturamento de R$ 40,82 bilhões, representando aproximadamente 52,9% do total. Essa realidade é um reflexo da crescente demanda, mas também das dificuldades impostas por fatores econômicos.
José Edson Galvão de França, conselheiro-presidente da Abempet, aponta que a produção de ração para pets enfrenta uma retração pela primeira vez, com previsões de nova queda de cerca de 3,9% em 2025. Essa situação é atribuída ao peso da carga tributária e às flutuações cambiais que encarecem insumos, especialmente os importados. Entretanto, a expectativa para o setor permanece positiva, com a crença de que um ambiente regulatório mais equilibrado pode impulsionar um crescimento significativo nos próximos anos.
O parque industrial do Brasil, capaz de produzir até 9 milhões de toneladas anuais, está operando abaixo de sua capacidade, com menos de 4 milhões. Essa discrepância evidencia uma grande oportunidade de expansão, sendo necessário um ambiente propício a investimentos e competitividade.
A crescente valorização dos pets na sociedade e o amadurecimento do mercado divulgam uma nova era para o segmento pet brasileiro. Com previsões de crescimento e inovações, o futuro promete ser ainda mais promissor para este setor que, diante de desafios, continua a fortalecer seus laços com os tutores e a aprimorar seus serviços.
Imagem Redação



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