Janja destaca a falta de oxigênio em Manaus e defende a ciência como guia essencial

Solidariedade e Ciência: Janja em Manaus Relembra Crise da Pandemia e Destaca Importância da Ciência

MANAUS (AM) – Na última quarta-feira, 20, a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, fez uma visita à capital amazonense, onde expressou solidariedade às famílias que sofreram com a grave crise de oxigênio durante a pandemia da Covid-19. A ocasião ocorreu durante o Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia, realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde Janja abordou a relevância da ciência como uma ferramenta essencial para combater o negacionismo que, segundo ela, comprometeu a saúde da população.

“Desejo expressar minha solidariedade a todas as famílias de Manaus que enfrentaram momentos extremamente difíceis durante a pandemia. A cidade se tornou um símbolo da crise. Enquanto minha mãe teve acesso ao SUS e recebeu os cuidados de que necessitava, muitas famílias não tiveram a mesma sorte e perderam entes queridos por causa da falta de oxigênio e da irresponsabilidade decorrente do negacionismo”, declarou a primeira-dama, enfatizando a necessidade da ciência como guia em tempos de crise.

Janja em discurso no Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Ainda em seu discurso, Janja destacou a importância da ciência para evitar que tragédias semelhantes se repitam no Brasil: “Que a ciência seja nosso norte para que isso nunca mais aconteça. Minha solidariedade a Manaus é um clamor urgente por responsabilidade e união entre academia e comunidades tradicionais.”

A pandemia trouxe à tona a vulnerabilidade do sistema de saúde em Manaus, que enfrentou uma severa crise de oxigênio em 2021, resultando em 4.430 mortes entre janeiro e março, 1.050 a mais que no episódio anterior da pandemia, conforme dados da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS/AM). Documentos do Ministério Público evidenciam que a falta de oxigênio causou a morte de pelo menos 31 pessoas em apenas dois dias.

Encontro da Ciência

Além de homenagear as vítimas da pandemia, Janja participou do evento como representante das mulheres na preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que acontecerá em Belém (PA) em novembro deste ano. Durante o evento, um documento com propostas provenientes de mais de 70 instituições regionais foi elaborado para ser apresentado na conferência, focando na transformação ecológica e no fortalecimento de práticas inovadoras de desenvolvimento socioambiental.

Janja recebe camisa em referência à COP30 (Ricardo Oliveira/Cenarium)

O evento teve a participação de diversas autoridades, incluindo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e outros ministros e reitores das principais instituições de ensino e pesquisa da região. Janja enfatizou seu papel nesta conferência: “Estou aqui como voz das mulheres que enfrentam as consequências das mudanças climáticas. Desejamos mais espaço nas mesas de discussão e negociação.”

O encontro, que ocorreu desde o dia 19, reuniu mais de 200 pesquisadores para desenvolver propostas práticas que poderão subsidiar a agenda da COP30. A doutora em Antropologia Social, Iraildes Caldas, ressaltou a importância do protagonismo das mulheres na preservação ambiental, afirmando: “Elas são as verdadeiras guardiãs da floresta, lidando diariamente com as questões ambientais.”

Agenda de Soluções

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que este evento não será apenas mais um espaço de debates, mas sim um local para a aplicação de soluções concretas, aproveitando o que já foi decidido em conferências anteriores. “Pretendemos demonstrar que existem soluções já implementáveis para enfrentar a crise climática e que é possível agir imediatamente, sem esperar por novos acordos.”

Janja e André Lago (ao centro) recebem documento das mãos da reitora da Ufam, Tanara Lauschner (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Com a urgência da situação climática e a necessidade de lembrarmos das lições aprendidas com a pandemia, torna-se vital um compromisso coletivo em busca de justiça climática e promoção da ciência.

Imagem Redação

Abilenio Sued

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