Investimento em Cultura Pode Retornar Três Reais à Economia, Aponta Estudo

Estudo Revela Potencial Econômico de Eventos Culturais em Ocara

Um estudo recente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) revela que cada real investido em eventos culturais em municípios de menor porte pode gerar um retorno de até três reais para a economia local. Este dado ressalta a importância de atividades culturais para a expansão econômica, especialmente em cidades como Ocara, que possui cerca de 25 mil habitantes e está a 101 km de Fortaleza.

O estudo analisou três cenários para um evento que será realizado em Ocara, considerando capacidades diferentes de público: um com 5 mil visitantes, um segundo com 10 mil, e um terceiro com 20 mil. Essa análise se baseou em eventos anteriores com características semelhantes, permitindo um panorama mais realista sobre os possíveis impactos econômicos.

Este evento, programado para acontecer em dois dias, traz atrações de grande notoriedade nacional e gerou polêmica por representar cerca de 1% do PIB municipal. O Ministério Público do Ceará abriu uma investigação para apurar os gastos, que somam cerca de R$ 2,9 milhões, incluindo R$ 2,285 milhões para os cachês dos artistas. A criação deste estudo passou a ser necessária para entender se os investimentos realizados trariam prejuízos às arcas municipais, ou se, pelo contrário, configurariam um real ganho econômico.

De acordo com a nota técnica do Corecon-CE, mesmo no pior cenário analisado, o retorno sobre o investimento seria garantido, com estimativas variando entre R$ 2,9 milhões e R$ 13,44 milhões no cenário mais otimista. Além disso, a geração de empregos poderia variar de 342 a 1.659 postos, e o retorno fiscal, de R$ 62,5 mil a R$ 373,5 mil.

Wandemberg Almeida, presidente do Corecon-CE e um dos responsáveis pelo estudo, enfatiza a importância das festas municipais de grande porte como agentes catalisadores do desenvolvimento econômico local. “Esses eventos atraem novos públicos e demandam uma melhoria na estrutura de serviços”, aponta. Ao preparar o comércio local para atender uma nova clientela, ele destaca uma transformação significativa nas dinâmicas econômicas da região.

De acordo com Wandemberg, o investimento na cultura não deve ser visto como um gasto, mas como uma estratégia para impulsionar a economia. “Um real investido em cultura pode significar um retorno que multiplica esse valor. Eventos como esses não apenas promovem a cultura local, mas também abrem portas para novos negócios e oportunidades de turismo”, afirma.

Ele ainda destaca que a descentralização de grandes eventos para cidades menores contribui para a criação e consolidação de novos mercados. “Quando consideramos o Réveillon de Fortaleza e outros eventos em capitais, verificamos uma consolidação que, ao ser descentralizada, gera um aumento significativo no fluxo de pessoas e investimentos nas localidades menos conhecidas”.

Por outro lado, Wandemberg critica a percepção negativa que alguns órgãos possuem em relação a esses eventos, classificando-os como excessos. “Nós demonstramos economicamente que esses eventos geram o que chamamos de ‘efeito de transbordamento’, onde a economia se expande para além dos eventos e atrai visitantes de outras regiões”, conclui.

O presidente do Corecon-CE reafirma que a valorização da cultura e a promoção de eventos não são apenas essenciais, mas imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável das pequenas cidades. “Investir em cultura é garantir que municípios menos visíveis sejam descobertos, promovendo um ciclo contínuo de crescimento econômico”, enfatiza.

Diante de toda essa análise, a mensagem é clara: o fortalecimento da cultura local gera benefício econômico real, impulsionando a transformação de comunidades e a criação de novas possibilidades para o futuro.

Eventos culturais em Ocara, que se destacam pela sua importância econômica e social.
Imagem Redação

Abilenio Sued

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