Fóssil de Tartaruga-Gigante do Mioceno é Descoberto no Acre
Um impressionante fóssil de tartaruga-gigante, que habitou a Terra entre 10,8 e 8,5 milhões de anos atrás, durante o período Mioceno, foi encontrado em Boca dos Patos, Assis Brasil, no Acre. A descoberta promete revolucionar o conhecimento sobre a biodiversidade antiga da Amazônia!
Liderando a pesquisa, os professores e paleontólogos Carlos D’Apolito Júnior, da Universidade Federal do Acre (Ufac), e Annie Schmaltz Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP), estão à frente do projeto “Novas Fronteiras no Registro Fossilífero da Amazônia Sul-Ocidental”. O projeto foi apoiado pelo edital Expedições Científicas da Iniciativa Amazônia+10, graças a um robusto financiamento do CNPq, Fapesp e da Fapac.
“Encontramos uma carapaça da maior tartaruga de água doce já existente, a Stupendemys geographicus”, revela Hsiou, que estuda a Amazônia há quase duas décadas. Com cerca de 1,70 metro de largura, a carapaça é uma das mais bem preservadas já encontradas. “Essa tartaruga, com um casco que pode chegar a quase 3 metros de comprimento, é um achado espetacular da época do Mioceno!”
A região amazônica é famosa pela diversidade de fósseis, com sítios fossilíferos amplamente reconhecidos há mais de 150 anos. “Apesar de nossa longa história na descoberta de fósseis, geralmente encontramos fragmentos. Essa tartaruga, em excelente estado, foi uma surpresa incrível!”, comentou D’Apolito Jr. Agora, os pesquisadores poderão comparar com fósseis de outros lugares, como a Venezuela, ajudando a elucidar a evolução da espécie.
O Mioceno ficou marcado por uma rica fauna aquática e terrestre, sendo essencial para compreender a formação da biodiversidade amazônica. “Explorar esse período geológico nos ajuda a entender as mudanças climáticas e suas consequências na extinção de espécies”, afirmou Hsiou.
Aventura na Expedição de Boca dos Patos
O trabalho de campo dessa expedição foi uma verdadeira odisseia. Com 16 membros – incluindo pesquisadores, barqueiros e uma cozinheira – a equipe enfrentou os desafios do rio seco, parando para empurrar o barco inúmeras vezes. “Tivemos sorte! Encontramos o fóssil logo no primeiro dia!”, celebrou D’Apolito Jr.
A escavação foi um verdadeiro esforço colaborativo. Quatro dias de intensa atividade garantiram a preservação do material, que teve que ser transportado por horas de barco até Assis Brasil e depois para a Ufac em Rio Branco. “Se não tivéssemos nos apressado, poderíamos ter perdido tudo com as flutuações do rio”, lamentou o pesquisador.
A tartaruga foi transportada em uma estrutura improvisada, ressaltando a importância da colaboração com a comunidade local. “Essa parceria é vital; as comunidades nos ajudam a descobrir novos fósseis e espécies, trazendo à tona histórias que precisam ser contadas”, destacou Hsiou.
O projeto também visa promover a educação ambiental nas comunidades que guardam conhecimentos antigos sobre fósseis. “Os indígenas do Alto Rio Juruá têm uma relação respeitosa com esses achados, e queremos reforçar essa conexão”, explicou Hsiou.
Durante a expedição, o grupo também teve interação com a aldeia Manchineri, buscando sempre o respeito e a cooperação. “Essa troca é essencial e muito enriquecedora para todos nós”, finalizou D’Apolito Jr.
O Futuro das Pesquisas
Após a expedição, o fóssil da Stupendemys geographicus será analisado na Ufac, onde integrará uma importante coleção de fósseis. “Com quase 10 mil fósseis já catalogados, esperamos que essa tartaruga nos ajude a entender melhor a Amazônia do passado”, explicou D’Apolito Jr.
O foco do projeto é explorar novos rios no Acre, em busca de mais descobertas fascinantes. “Após esse incrível achado, estamos ansiosos para o que mais podemos encontrar em locais inexplorados”, disse Hsiou.
Ela salientou a importância da colaboração entre instituições. “Nossa parceria com a Ufac tem gerado uma grande quantidade de conhecimento, com a formação de novos pesquisadores e a troca de experiências”, concluiu Hsiou.
Imagem Redação



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