Crise Climática: Classe Alta do Brasil Responsável por Emissões Sete Vezes Superiores à Média Nacional – 14/08/2025 – Ambiente

Desigualdade nas Emissões de Gases do Efeito Estufa Chama Atenção no Brasil

Um novo estudo revela que o 1% mais rico do Brasil — aqueles que apresentam uma renda mensal média de R$ 20 mil ou mais — é responsável por emissões de gases do efeito estufa (GEE) que superam em sete vezes as emissões dos 10% mais pobres, cuja renda é inferior a R$ 200. Publicado nesta quinta-feira (14) pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), o estudo coloca em evidência uma questão crítica: a disparidade na pegada de carbono entre diferentes estratos sociais.

A pesquisa reforça uma tendência global já observada: enquanto os mais ricos consomem mais recursos e, consequentemente, emitem mais poluentes, os mais pobres permanecem em níveis irrisórios. Os GEE, incluindo gás carbônico, metano e óxido nitroso, são os principais responsáveis pelo aquecimento global e suas consequências dramáticas, como a mudança climática.

Conforme divulgado por uma pesquisa da Oxfam Internacional, impressionantes 50% das emissões de carbono do planeta são provenientes dos 10% mais ricos, enquanto a classe média, que representa 40% da população, é responsável por 43%. Surpreendentemente, os 50% mais pobres do mundo contribuem com apenas 8% das emissões. No Brasil, o cenário é igualmente alarmante: o consumo dos 10% mais ricos emite mais do que a soma das emissões dos 35% mais pobres.

O estudo do Made revela que a diferença na pegada de carbono entre as classes sociais brasileiras é menor do que a média global; isso se deve à estrutura produtiva do Brasil. Lucca Henrique Rodrigues, mestre em economia e pesquisador do Made, destaca que “a gente tem um padrão de emissão diferente do resto do mundo”. Em seu entendimento, a energia mais limpa utilizada no Brasil diminui o impacto das emissões, muito focadas na agropecuária.

No contexto nacional, cerca de dois terços das emissões de GEE estão atreladas à agropecuária e à transformação do uso do solo. Isso impacta diretamente o cálculo da pegada de carbono vinculada ao consumo de alimentos, aspectos inseparáveis neste debate. O estudo revela que a alimentação sozinha é responsável por impressionantes 48% das emissões de GEE dos brasileiros, com a energia e outros fatores em seguida.

A pesquisa, que se baseou nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017-2019, mergulhou nos detalhes das emissões relacionadas à produção e distribuição de bens e serviços. A disparidade em outros hábitos de consumo, principalmente no uso de energia entre classes, é bastante significativa. O ar-condicionado e as piscinas aquecidas, por exemplo, são diferenciais notáveis entre os mais ricos, enquanto os hábitos alimentares, embora importantes, não demonstram uma variação tão acentuada.

O estudo também destaca que, entre os 1% mais ricos, o transporte é um dos grupos que mais contribuem para a pegada de carbono, superando o uso de energia no ranking do consumo. Comportamentos como viagens internacionais de avião e transporte por serviços como Uber intensificam a diferença em comparação a opções mais econômicas.

Porém, a pesquisa propõe uma reflexão importante: a redução da pegada de carbono individual não deve ser a prioridade do Brasil. As emissões estão mais ligadas ao modo como os produtos são fabricados do que ao que cada pessoa consome. De acordo com Rodrigues, “um aumento na renda não necessariamente aumentaria as emissões, pois o problema reside na produção, e não no consumo”.

Diante desses dados alarmantes, fica claro que para que o Brasil opere uma mudança efetiva em sua pegada de carbono, a atenção deve ser voltada à intensificação das práticas sustentáveis na produção agropecuária. Medidas que promovam a recuperação de carbono e a eficiência no uso de recursos naturais se fazem urgentes.

Imagem Redação

Abilenio Sued

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