Fotolivro “Meu pai morreu três vezes”: A emocionante jornada de Clara Simas em busca da verdade
As memórias de Clara Simas sobre seu pai, Manoel Costa, sempre trouxeram uma mistura de emoções. Agora, a fotógrafa se lança em um vibrante projeto para recompor a história do jornalista e ator amador, que faleceu em 2003 devido a um câncer. O lançamento do fotolivro “Meu pai morreu três vezes” é um marco na busca de Clara por entender melhor a relação com seu pai, um verdadeiro luto estendido em busca de respostas e reconciliações.
Nesse belo trabalho, Clara combina fotografias de rolos de filme deixados por Manoel, registros de seus papéis e suas próprias imagens. Depoimentos de familiares e amigos, como sua irmã Vera Lúcia e a ex-esposa Maria Edite, também ajudam a coroar a trajetória de Manoel, revelando desde suas conquistas artísticas até os conflitos familiares que marcaram sua vida.
Manoel faleceu quando Clara tinha apenas 14 anos. A relação deles, longe do convencional, foi marcada por distâncias e a busca por conexão. Hoje, vivendo em Berlim, Clara recorda momentos em que seu pai a levava a barzinhos, mas sempre numa pressa inquietante, como se estivesse sempre em outro lugar.
“Eu fui diagnosticada com câncer aos 6 anos e passei muito tempo longe de onde ele morava. Durante três anos, nos vimos apenas duas vezes”, relembra Clara em uma entrevista. Para uma criança, a estabilidade emocional é fundamental, mas a relação pai-filha dela foi marcada por instabilidade e ausência.
Esse comportamento, segundo Clara, refletia um contexto cultural particular. “Meu pai era sarcástico e representava um espírito de contracultura típico do Brasil da época”, ela explica, destacando que essa irreverência também influenciava sua relação com a filha.
O título intrigante do livro se deve aos trabalhos de Manoel no cinema marginal da Bahia durante a ditadura militar, onde seu personagem era repetidamente “morto”. Foram três mortes – uma alusão à complexidade de sua figura tanto no cinema quanto na vida real.
Durante seu processo de pesquisa, Clara inicialmente pensou em chamar o projeto de “Meu pai morreu duas vezes”, mas uma conversa reveladora com o jornalista Paulo Cunha a fez perceber que a história de seu pai era mais rica e profunda do que imaginava.
Paulo, que conheceu Manoel em diversas farra, lembrava-se de um homem vibrante, bem-humorado e boêmio, distantes de qualquer imagem convencional de pai, ressaltando o caráter intrigante de Manoel e sua falta de compromisso com uma imagem familiar tradicional.
Manoel também explorou sua veia artística com registros de seu cotidiano, revelando cenas do dia a dia que falam por si mesmas, desde reuniões familiares até a intimidade do lar.
No entanto, a presença de Clara no fotolivro é sutil. Ela deliberou cuidadosamente como se apresentar na obra, evitando um enfoque excessivamente emocional. O objetivo é reconstruir o personagem que Manoel foi, deixando seu próprio eu em segundo plano.
A obra “Meu pai morreu três vezes” aprimora um diálogo profundo sobre a relação entre pais e filhos, memória e identidade, e promete tocar o coração de muitos ao confrontar os fragmentos de uma relação complexa.
Imagem Redação



Postar comentário