Evo Morales Sugere Voto Nulo como Rejeição às Eleições na Bolívia
O ex-presidente boliviano Evo Morales, que não pode participar das eleições gerais realizadas no último domingo (17), afirmou que o voto nulo será o grande “vencedor” da ocasião, evidenciando a falta de legitimidade do processo eleitoral. A declaração surge em um contexto de intensas disputas políticas e acirrada polarização no país.
Morales se manifestou após votar em uma pequena comunidade próxima a Lauca Eñe e declarou: “Esta votação vai demonstrar que se trata de uma eleição sem legitimidade.” Ele permanece sob proteção dos seus seguidores não apenas pela relevância política que ainda carrega, mas também pela ameaça de uma ordem de prisão que recai sobre ele.
A afirmação de que o voto nulo pode ser o mais votado, caso não haja fraude, é inédita no cenário político boliviano. Este é um indicativo claro de que a população pode estar insatisfeita não apenas com o processo eleitoral, mas também com os candidatos disponíveis.
Vestindo uma camisa branca e sandálias, Morales recebeu apoio de dezenas de camponeses que formaram uma barreira ao seu redor, na ausência de qualquer presença policial nas imediações, uma peculiaridade em tempos de tensões políticas.
Como o primeiro presidente indígena da Bolívia, Morales buscava um quarto mandato, mas foi afastado da corrida eleitoral pelo Tribunal Constitucional, que determinou sua inabilitação. O ex-presidente enfrenta ainda graves acusações de envolvimento em tráfico de menor, uma acusação que ele nega veementemente.
“Desta vez vamos votar, mas não vamos eleger”, disse o ex-presidente, que se distanciou do partido governista MAS (Movimento ao Socialismo), do qual foi um dos principais líderes. Essa fratura política é ilustração da instabilidade que vem assolando o partido, que por 20 anos dominou a esquerda no país.
Contrário a apoiar outro candidato, Morales fez campanha pelo voto nulo, embora isso não afete os resultados oficiais, uma vez que a autoridade eleitoral considera apenas os votos válidos.
Mais de 7,9 milhões de bolivianos estavam convocados a escolher entre oito candidatos presidenciais e renovar o Congresso. Durante uma coletiva, Evo criticou o atual presidente Luís Arce, enfatizando que a situação atual do seu movimento político poderia ser diferente se não houvesse o rompimento com o ex-ministro.
As últimas pesquisas indicam uma disputa acirrada entre o empresário Samuel Doria Medina e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, ambos com cerca de 20% das intenções de voto. Esses dois candidatos de direita parecem estar em desacordo com a antiga hegemonia da esquerda, ao proporem um novo rumo para o país.
“A data de hoje é crucial para os bolivianos, pois o voto nos permitirá superar essa crise econômica de forma pacífica e democrática”, afirmou Doria Medina após votar. Por outro lado, Quiroga prometeu uma revolução política, reivindicando a necessidade de mudar tudo “absolutamente tudo” no país.
A luta pelo poder agora se dá entre candidatos que anseiam por romper com o legado do MAS. Ambos querem promover uma economia de mercado, desmantelando o modelo econômico implementado durante o governo de Morales, que priorizava a nacionalização de setores estratégicos.
O primeiro plano de Doria Medina foca em combater a escassez de combustíveis e produtos básicos, uma estratégia que reflete sua experiência no mercado. Quiroga, ex-presidente, busca reavivar sua trajetória política após anos em desgraça na cena nacional.
Contudo, a jornada eleitoral não se desenrolou sem tensões. Reportagens locais relataram confrontos, como a hostilidade que o candidato Andrónico Rodríguez enfrentou quando chegou para votar, refletindo a intensidade do clima eleitoral.
Em meio a essas tensões, cumpre destacar que todos os bolivianos estão exercendo um direito democrático vital, e a espera pela definição dos rumos do país promete ser um momento marcante na história boliviana.
Imagem Redação



Postar comentário