Biblioteca Mário de Andrade Inaugura Pole Gastronômico Dedicado à Comida Afro-Brasileira
A Biblioteca Mário de Andrade, ícone cultural de São Paulo, acaba de ganhar um novo atrativo: o Kitanda Café, que promete enriquecer a experiência dos visitantes. Com a assinatura da chef e pesquisadora Priscila Novaes, o espaço não apenas adiciona um novo sabor à biblioteca, mas também expande o reconhecimento da gastronomia afro-brasileira em um ambiente culturalmente significativo.
A iniciativa surge no contexto do programa Cultura +Gastronomia, e representa o terceiro polo gastronômico implantado pela Prefeitura de São Paulo, depois do sucesso dos restaurantes no Centro Cultural Penha e no Tendal da Lapa. Agora, a seção central da cidade se junta a esse movimento, tornando-se um ponto de referência para a diversidade culinária.
Inaugurado no último sábado (8), o Kitanda Café reitenta a presença da culinária afro-brasileira no coração da cidade. Anteriormente localizado na Casa PretaHub, o café foi pensado para oferecer um cardápio que destaca pratos emblemáticos como acarajé, dadinho de tapioca e moqueca baiana. Essa seleção sublinha a rica interseção entre as tradições gastronômicas brasileiras e africanas, uma área frequentemente negligenciada em termos de pesquisa e divulgação.
O menu do Kitanda Café já é um convite para os amantes da gastronomia. Entre as opções de café, destacam-se pães de queijo recheados, quiches, tortas e uma variedade de tapiocas, incluindo sabores como carne seca com coalho e cogumelos com espinafre. Os pratos são servidos em gamelas, associando a refeição a práticas ancestrais que trazem uma nova leitura sobre a resiliência da cultura afro-brasileira.
Em um futuro próximo, o Kitanda Café ampliará seu cardápio para incluir opções para almoço e jantar, como o arroz de alça e o bombocado de Mário de Andrade. Este último, inspirado em receitas encontradas nas anotações do renomado autor paulista, será um doce que conecta as tradições culinárias às memórias familiares e coletivas.
Priscila Novaes destaca a importância desse espaço como uma plataforma de identidade e saberes ancestrais. O Kitanda Café não serve apenas comida; ele se propõe a formar mulheres negras no campo da gastronomia, oferecendo treinamentos especializados e criando oportunidades para que elas ingressem em um mercado muitas vezes elitizado e competitivo.
Com a proposta do programa “Afro Chef”, a chef planeja utilizar o espaço do café para oferecer experiências práticas a suas alunas, permitindo que elas desenvolvam suas habilidades em um ambiente profissional. O objetivo é capacitá-las a expandir suas próprias iniciativas gastronômicas, levando a comida afro-brasileira a não apenas a mais regiões, mas também a diversas mesas.
A chef manifestou seu desejo de se tornar uma referência no setor, abordando as barreiras enfrentadas por mulheres negras na culinária. Em sua jornada, Priscila superou estigmas e buscou valorizar as histórias e tradições que frequentemente ficam à margem. “A gente carrega um saber ancestral que deve ser honrado e exibido”, afirma a chef, ressaltando que a presença do Kitanda na biblioteca é, acima de tudo, um ato político.
Com uma estrutura voltada para o impacto social, o Kitanda Café também se destaca por integrar a diversidade no ambiente gastronômico de São Paulo, fomentando o enriquecimento cultural no espaço onde a literatura e a culinária se encontram. O impacto dessa iniciativa reflete não apenas na importância de trazer à tona a gastronomia afro-brasileira, mas também na necessidade de criar um espaço inclusivo e respeitoso para todas as vozes da cultura.
Com funcionamento de segunda a sexta, das 9h às 20h, e aos finais de semana e feriados, das 9h às 18h, o Kitanda Café oferece uma nova razão para os moradores e visitantes de São Paulo desfrutarem do híbrido entre cultura e culinária. À medida que a cidade continua a explorar a fusão entre esses dois mundos, o Kitanda Café se afirma como um verdadeiro elo entre passado, presente e futuro.
Imagem Redação



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