Intoxicações por Cannabis entre Crianças Aumentam Dramaticamente nos EUA
Crianças e adolescentes estão na linha de frente das preocupações com a intoxicação por produtos à base de cannabis nos Estados Unidos, como revela um estudo recente. Eles representam impressionantes 75% dos casos relacionados a produtos comestíveis, destacando a urgência de ações preventivas.
Em 2009, apenas 930 casos de intoxicação foram registrados; no ano passado, esse número saltou para mais de 22 mil, de acordo com dados dos Centros de Controle de Intoxicações dos EUA. Destes, mais de 13 mil atingiram níveis críticos, evidenciando a gravidade da situação.
A maioria das crianças precisou de hospitalização, apresentando sintomas como paranoia e vômitos. Muitos jovens acidentalmente ingeriram produtos que pertenciam a adultos, como gomas de maconha, o que gera um alerta sobre a necessidade de maior cuidado e conscientização.
Consequências alarmantes
Embora muitos casos não apresentem sequelas permanentes, há registros preocupantes de intoxicações que resultaram em dificuldades respiratórias. No último ano, mais de cem crianças necessitaram de ventiladores, evidenciando a severidade das reações adversas.
A pediatra Shamieka Virella Dixon relata casos extremos de jovens, inclusive crianças de 2 anos, que apresentaram reações psicóticas após consumir produtos de cannabis. Em outro relato, o médico Robert Hendrickson, de Oregon, viu uma criança que sofreu convulsões graves após comer um biscoito com infusão de cannabis, demandando cuidados intensivos.
Desde 2009, o país contabiliza quatro mortes “provavelmente causadas” por intoxicação pela maconha, segundo dados dos Centros de Controle de Intoxicações. Os números para 2024 ainda estão pendentes de atualização.
Regulação sob pressão
A legalização da cannabis em 20 estados trouxe regulamentações específicas sobre limites de THC nos produtos. No entanto, muitos médicos alertam que os níveis permitidos estão excessivamente altos, com a média sendo de 100 miligramas por pacote e estados como Michigan permitindo até 200 miligramas.
Estudos indicam que a substância pode causar intoxicação severa e desencadear episódios psiquiátricos em pessoas sem histórico de problemas de saúde mental, além de potenciais problemas cardiovasculares.
Por fim, especialistas criticam as embalagens e o marketing direcionados a crianças, que podem facilitar o consumo acidental. A indústria, por sua vez, argumenta que mudanças regulatórias podem levar consumidores para o mercado ilegal, afetando a arrecadação tributária dos estados.
Imagem Redação



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