Geleira Perito Moreno em Perigo: Mudanças Climáticas Ameaçam um dos Ícones Naturais da Argentina
A icônica geleira Perito Moreno, um dos maiores tesouros da Argentina, enfrenta um desafio alarmante: após cem anos de estabilidade, sua ação de recuo agora se intensifica e preocupa especialistas. Os cientistas alertam que essa mudança pode se tornar irreversível, colocando em risco não apenas a geleira, mas também o patrimônio natural da região.
Desde 1981, a geleira está sob a proteção da UNESCO como patrimônio mundial, qualificando-a como um bem inestimável. Entretanto, as preocupantes notícias sobre seu futuro podem seguir o exemplo de outras geleiras da Patagônia, que também estão encolhendo rapidamente, em função das mudanças climáticas que afetam o planeta.
Com uma vasta extensão de aproximadamente 250 km², a Perito Moreno é uma das principais atrações turísticas da Patagônia, localizada no Parque Nacional Los Glaciares. No ano passado, o parque atraiu cerca de 706 mil visitantes, sendo os brasileiros a maior parte desse público estrangeiro.
Dados recentes mostram que quase 90% dos turistas que visitam El Calafate, a cidade que serve de entrada para o parque, se dirigem à famosa geleira. As impressionantes quedas de blocos de gelo têm se tornado um espetáculo cada vez mais buscado pelos viajantes.
Por muito tempo, a Perito Moreno desafiou a tendência de recuo que aflige outras geleiras. Este fenômeno foi atribuído à particularidade do vale que abriga a geleira, que até então mantinha um delicado equilíbrio entre acumulação e derretimento. No entanto, nos últimos anos, essa história mudou.
Entre 1985 e 2005, a variação na geleira foi de menos de 1%. Contudo, as más notícias começaram a surgir: conforme um levantamento do Inventário Nacional de Geleiras da Argentina, a perda significativa de gelo se relaciona diretamente ao aquecimento global.
Pesquisas recentes, em especial uma liderada pelo geógrafo Moritz Koch, apontam que essa perda de massa pode comprometer a estabilidade estrutural da geleira, um alerta sério sobre o seu futuro.
O pesquisador Lucas Ruiz, especialista em geleiras, destaca que até 2018 a Perito Moreno não apresentava sinais de recuo, mas desde então a situação se agravou rapidamente. O derretimento aumentou e os desprendimentos se tornaram mais frequentes, uma tendência preocupante.
Historicamente, a geleira apresentava um padrão de avanço e recuo sazonal. No entanto, em 2018, ela fechou um fluxo de água, e a partir de então não conseguiu retornar à sua posição anterior, com o lado norte, especialmente, mostrando sinais de encolhimento.
A equipe de Ruiz está atenta não apenas à alteração da posição da geleira, mas também à velocidade do derretimento e à quantidade de neve que está se acumulando. Os dados são alarmantes: a quantidade de neve acumulada no inverno tem diminuído, enquanto os verões se tornaram intensamente quentes, resultando em um cenário desfavorável.
As temperaturas de verão aumentaram 1,2°C nos últimos 30 anos, o que tem acelerado o derretimento do gelo. Essa taxa preocupante de recuo sugere uma mudança drástica no futuro da geleira, caso essa tendência persista.
Cientistas alertam que, se a Perito Moreno perder sua conexão com a península de Magalhães, o resultado pode ser um recuo potencialmente devastador, levando a uma nova configuração para essa maravilha natural.
Assim, a geleira Perito Moreno não está sozinha nessa luta. Em 2024, todas as 19 regiões glaciais do mundo reportaram perda de massa líquida pelo terceiro ano consecutivo, com mais de 450 bilhões de toneladas de gelo perdidas. Essa situação global destaca a urgência da ação contra as mudanças climáticas.
Imagem Redação



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