Al Gore Enaltece Brasil como Modelo em Energias Renováveis em Perspectiva para COP30
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, exalta a posição do Brasil como um verdadeiro exemplo no financiamento de projetos de energias renováveis. Este é um fator crucial para a transição energética em países em desenvolvimento, tema que promete ser um dos destaques da COP30, a conferência climática das Nações Unidas marcada para novembro em Belém, onde ele já confirmou presença.
Gore afirma que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desempenhou um papel fundamental na mitigação dos riscos associados a investimentos em energias renováveis. Para ele, esse modelo brasileiro pode e deve ser replicado em outras nações que lutam por uma mudança sustentável.
Idealizador do icônico filme “Uma Verdade Inconveniente”, que colocou a crise climática sob os holofotes há quase duas décadas, Gore observa avanços significativos nas energias renováveis. Para ele, os retrocessos observados na luta ambientalista, impulsionados pela recente administração de Donald Trump, são temporários.
“O período de visão pseudoautoritária em relação ao governo americano está chegando ao fim”, afirma, esperançosamente. Gore, que se encontra no Rio de Janeiro promovendo um curso gratuito de liderança climática, acredita que a democracia nos EUA é mais resistente do que muitos pensam.
Em suas últimas palestras, Gore apresenta um cenário alarmante em comparação a quando “Uma Verdade Inconveniente” foi lançado, mas mantém uma visão otimista. Aumento no uso de energias renováveis é um claro sinal de esperança. No ano passado, 93% da nova geração de eletricidade no mundo era renovável, e o número de veículos elétricos continua a crescer rapidamente.
Ainda que as emissões globais estejam em ascensão, Gore vê sinais encorajadores, como a queda das emissões na China. Contudo, ele alerta que o futuro dessas tendências depende, em grande parte, da pressão popular para a mudança.
Os obstáculos, como o financiamento de energia limpa e a influência do lobby da indústria do petróleo, são questões que devem ser centrais na COP30. Gore acredita que o Brasil pode ser uma luz no fim do túnel, já que o modelo do BNDES pode oferecer soluções inovadoras para o desafio do capital nas transições energéticas.
Entretanto, ele reconhece a contradição presente, já que o Brasil, ao mesmo tempo que aspira à liderança neste campo, está expandindo a exploração de petróleo na Amazônia. Gore observa que, apesar da necessidade da transição energética, a queima de combustíveis fósseis continuará no futuro próximo, mas enfatiza que a energia renovável avança numa velocidade maior.
Na questão do financiamento, Gore esclarece que muitos países em desenvolvimento enfrentam juros exorbitantes para acessar capital privado, tornando o financiamento híbrido, como o feito pelo BNDES, uma alternativa viável. Ele espera que esse modelo possa ser adaptado para nações africanas, onde 60% do melhor recurso solar do mundo reside, mas a capacidade de investimento é ínfima.
Em relação ao Acordo de Paris, Gore expressa otimismo, sustentando que, mesmo sem a participação dos EUA sob a administração Trump, a luta contra as mudanças climáticas ainda pode prosperar. Ele acredita que a democracia americana é resiliente e que a transição de liderança está se aproximando.
O ex-vice-presidente também se refere a um fenômeno emergente conhecido como “green hushing”, onde empresas que ainda estão comprometidas com a sustentabilidade preferem se manter discretas para evitar conflitos com o governo. Gore acredita que a percepção do público sobre as consequências das mudanças climáticas está mudando rapidamente, e cada vez mais pessoas estão se engajando na luta por mudanças efetivas.
Por fim, Gore comenta sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos sob a era Trump, afirmando que laços históricos e amigáveis não se romperão facilmente e que a situação atual é um desafio passageiro. Ele acredita que o desfecho deste conflito será um retorno ao fortalecimento das relações bilaterais.
Imagem Redação



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