A Tecnologia como Catalisadora da Criação Artística e Espaço de Inovação Cultural

A Nova Geração de Artistas: A Interseção de Tecnologia e Cultura no Ceará

Nos anos 2000, a realidade do interior do Ceará era bem diferente. Em Icó, a presença de computadores era quase uma raridade. No entanto, a vida de Trojany mudou radicalmente quando seu pai adquiriu um computador. Com apenas 10 anos, ela se tornou uma das poucas crianças da cidade a ter acesso a essa tecnologia, dando início a uma trajetória singular.

Atualmente, Trojany é reconhecida como artista visual, arte educadora e designer. Seu trabalho é marcado por projetos interativos que exploram temas como memória, identidade e afeto, utilizando ferramentas como inteligência artificial e modelagem 3D. Sua carreira começou com a fotografia de festas de forró, o que serviu como base para que desenvolvesse habilidades em edição de imagem e vídeo, além de atuar como DJ. “Saía de casa com uma CPU debaixo do braço, como se fosse um notebook”, relembra. Para ela, a tecnologia representa não apenas um meio de expressão, mas um ponto de conexão com a cultura local e sua própria identidade.

A Tecnologia Emocional: Um Olhar sobre o Mundo

A artista destaca a importância de redefinir o conceito de tecnologia. Em Icapuí, por exemplo, a construção do muzuá, uma armadilha para captura de camarões, nos mostra que existem tecnologias que não dependem de eletricidade. Essa prática não apenas sustenta a alimentação local, mas é um reflexo da cultura daquela comunidade. Trojany argumenta que a verdadeira essência da arte reside no seu propósito e na construção conceitual que a embasa, e não na sofisticação das ferramentas utilizadas.

Para ela, o valor da arte não é determinado pelo equipamento, mas pelas histórias e experiências que a rodeiam. “Tanto faz se você usa uma super tecnologia do Vale do Silício ou uma aprendida com as rendeiras lá em Icapuí. O que importa é o que está por trás dessa criação”, afirma.

Uma Nova Realidade Digital: Questões Urgentes

Antes da pandemia, quando Trojany abordava a inteligência artificial, muitos consideravam o tema distante e até mesmo ficcional, lembrando a atmosfera da série “Black Mirror”. Hoje, essa conversa se tornou cada vez mais necessária e pertinente. A tecnologia não é mais uma ideia futurista; agora é parte do nosso cotidiano. Contudo, o desafio que persiste é a necessidade de reflexão crítica sobre essas inovações e suas repercussões na cultura contemporânea.

Trojany utiliza diversas materialidades para explorar a intersecção entre arte e tecnologia, desde performances até instalações interativas, sempre com um olhar atento às tradições que permeiam sua trajetória. Seu vínculo com Icó e o Açude Orós a motivam a refletir sobre a colonização e os recursos hídricos, criando uma conexão profunda entre sua arte e suas raízes.

Novas Criações: Intervenções Artísticas Poderosas

Um de seus projetos mais recentes é “Oráculo”, que combina performance, taxidermia e instalação. Desenvolvido durante uma residência artística em Liverpool, esse trabalho será apresentado no Rio Grande do Sul em outubro, mostrando a diversidade dos meios que ela explora para se expressar artisticamente.

Na mesma linha, a artista Pedra Silva também está em destaque. Juntamente com Garu Pirani e Rodrigo Lopes, ela desenvolveu o projeto “Para a Terra Volta Toda Corpa em Matéria” durante a pandemia. Este projeto investiga a criação de estéticas que dialogam com as religiosidades afro-indígenas do Ceará, utilizando tecnologia digital como um meio de expressão.

Intersecções e Desafios

O site do projeto, que já completou cinco anos, possui recursos de realidade virtual e foi reconhecido com prêmios e residências artísticas. Pedra se vê como uma artista multimídia, transitando entre escultura, instalação e performance, sempre com um foco na corporeidade e na luta anticolonial. “Minha prática é transcestral”, descreve, ressaltando a importância do corpo em sua arte.

Ambas as artistas estarão presentes no “II Seminário de Arte e Tecnologia: Novos Horizontes”, onde discutirão questões cruciais sobre o impacto das tecnologias digitais em narrativas e representações.

O Papel do Museu da Imagem e do Som do Ceará

O diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará, Silas de Paula, destaca que a instituição se posiciona como um laboratório de experiências contemporâneas, buscando expandir o potencial da arte em tempos digitais. No entanto, Trojany enfatiza que para celebrar a diversidade artística, é preciso que artistas de diferentes origens ocupem também espaços de decisão.

Ambas as artistas, em suas criações, compartilham uma visão comum: a tecnologia como uma extensão da sensibilidade humana. Elas buscam, por meio de seus trabalhos, ressignificar a forma como nos relacionamos com códigos e algoritmos, propondo uma reflexão sobre a verdadeira essência da arte no mundo digital.

Conclusão: A Nova Era da Arte e Tecnologia

O “II Seminário de Arte e Tecnologia: Novos Horizontes” promete ser um espaço de troca vibrante entre artistas, pesquisadores e educadores. Com tema relevante e acessível, o evento ocorrerá nos dias 29 e 30 de outubro, proporcionando um palco para discutir as interseções entre arte, tecnologia e sociedade. O acesso é gratuito, e as inscrições podem ser realizadas pela plataforma Sympla.

Imagem Redação

Abilenio Sued

Profissional da imprensa brasileira, mergulho em palavras para levar você a cenários profundos, garantindo à informação precisa e relevante. Com uma carreira consolidada a mais de 30 anos, atuei de forma ininterruptível em 49 das 57 funções que compõem a minha profissão. Minha trajetória une o compromisso com a verdade da notícia, criação de artigos com objetivo de resolver problemas dos nossos usuários, sem deixar de lado, a criatividade no entretenimento, e, cultivando parcerias no campo profissional. Como repórter, desenvolvi expertise em apuração de matéria investigativa, aprimorei a habilidade de manter o público bem informado com à verdade, e, como narrador de assuntos, cultivo a técnica de informar de maneira impactante. Primeiro contrato de trabalho em CTPS foi na Rádio Região Industrial Ltda (Metropolitana AM 1050 kHz) a partir do dia 1º de novembro de 1995, com duração de 13 anos, atualmente, o grupo opera a Mix FM na frequência FM em Salvador, Bahia, Brasil. Passando por outras emissoras, Rádio Líder FM, primeiro repórter da Rádio Sucesso FM, Band News FM, primeiro repórter policial do Camaçari Notícias (cn1), Camaçari Fatos e Fotos, Jornal Impresso (É Notícia), repórter TV Litorânea (a cabo), TV Bandeirantes (Band Bahia), dentre outras emissoras em freelancer período carnaval. A vasta experiência inspirou a criação deste veículo de comunicação, onde a informação se expande com credibilidade, dinamismo, na velocidade da notícia, local, estadual, nacional e mundial. Fique bem informado — aqui... | Abilenio Sued | Repórter | Registro Profissional.: MTE 3.930/6.885 SRTE/BA-BR | Editor-Chefe | abilenio.com | 30 Anos News | Traduzido De Acordo Com O País De Acesso Mesmo Para Aqueles Idiomas Vulneráveis À Extinção | Publicado Para O Mundo...

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