Extinção da FCT: Uma Nova Era ou um Retrocesso na Ciência?
A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), estabelecida em 1997, está prestes a ser extinta. Essa decisão representa um golpe para a ciência nacional e a pesquisa de qualidade, que, nos últimos trinta anos, contou com o suporte imprescindível da FCT. O financiamento público, fundamental para a inovação e o avanço científico, ficará seriamente comprometido com essa mudança.
A pesquisa não acontece no vácuo; ela exige recursos! Pesquisadores precisam de salários e bolsas, materiais laboratoriais, computadores e, acima de tudo, de espaços colaborativos. Uma rede científica vibrante é essencial para discutir e explorar novas ideias e direções. Essa infraestrutura é vital para o avanço do conhecimento.
A realidade é clara: o desenvolvimento científico é fruto do trabalho dedicado de pessoas em instituições organizadas. Apesar das críticas dirigidas à FCT, que são válidas e importantes, esse órgão tem sido a espinha dorsal que possibilita a realização de projetos e inovações em diversas áreas científicas.
É alarmante perceber que a extinção da FCT e a fusão com a Agência Nacional de Inovação estão sendo apresentadas como uma oportunidade para um novo começo. Contudo, essa “nova era” pode gerar uma precarização ainda maior da ciência. As promessas de um apoio mais personalizado e eficaz para os pesquisadores e as empresas soam bem, mas levantam suspeitas sobre a real intenção por trás dessa reforma.
Trata-se de uma continuidade de um movimento que, nas últimas décadas, tem submetido o setor da ciência à lógica do lucro. A pesquisa que não se encaixa em parâmetros mercadológicos corre o risco de ser relegada a segundo plano, excluindo vital conhecimento fundamental.
O superministro, ciente das reservas sobre essa mudança, afirma que a pesquisa básica será “protegida”! No entanto, essa garantia parece insuficiente diante do panorama incerto que se desenha.
Promessas de orçamentos modestos não substituem a importância da FCT, que, por trinta anos, atuou como um elo entre governantes, instituições e pesquisadores, facilitando a produção de conhecimento. A proposta de um megaministério pode obscurecer a função da ciência em favor de um enfoque que prioriza a economia em detrimento do saber.
O timing da notícia é, no mínimo, irônico: 31 de julho, véspera de férias, um momento em que muitos esperam ansiosamente por resultados de projetos. Esta estratégia parece destinada a evitar a organização de vozes críticas, sinalizando uma falta de criatividade que contrasta com o discurso de “inovação”.
Imagem Redação



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